Quem acompanha nossa página no Facebook pode perceber que sempre postamos mídias com frases de grandes fotógrafos. Acreditamos que buscar inspirações e conhecer a vida de grandes fotógrafos agrega conhecimento, melhorando sempre os resultados de nossos trabalhos.

Falaremos hoje sobre um fotógrafo de influências sem precedentes na fotografia mundial. Com fotos realmente mágicas, foi talvez o fotógrafo mais hábil a criar belas imagens retratando a essência da hora e local.

Considerado por muitos o pai do Fotojornalismo, Henri Cartier-Bresson, nascido na França em 22 de agosto de 1908, foi um artista inato. Se apaixonou muito cedo pela arte. Com apenas cinco anos de idade foi apresentado à pintura por um tio, e logo mais iniciou seus estudos de pintura com Cotenet (1922-23) e com André Lhôte (1927-28). Concluiu pintura e filosofia na Universidade de Cambridge.

Proveniente de uma família proeminente da indústria têxtil, Henri Cartier-Bresson escolheu ser artista, mesmo contra a vontade da família, que o queria cuidando dos negócios.

Em 1931, Cartier-Bresson viajou a África, onde permaneceu por um ano, ganhando a vida como vaporeiro, vendendo bugigangas e carne salgada que ele mesmo caçava e preparava. Foi nessa viagem que ele também adquiriu sua primeira câmera fotográfica, de segunda mão, feita por Krauss, porém todos os filmes fotografados nesse período foram deteriorados pela umidade.

1

Nesse mesmo ano, ao retornar à França, Cartier-Bresson viu uma foto de autoria do fotojornalista Húngaro Martin Munkacsi publicada na Revista Photographies, que retratava três meninos negros correndo nús em direção ao mar e com grande admiração definiu o momento da seguinte maneira: “A única coisa que era uma surpresa completa pra mim e me levou à fotografia foi o registro de Munkacsi. Quando eu vi a fotografia dos meninos negros correndo em direção à onda, eu não pude acreditar que tal coisa poderia ser captada por uma câmera. Peguei a câmera e fui para as ruas.” (…) “Aquela fotografia me inspirou a parar de pintar e a levar a fotografia a sério.” (…) “De repente eu entendi que a fotografia poderia captar a eternidade instantaneamente.” Esse momento foi um momento decisivo para a formação de Cartier Bresson como fotógrafo.

2

A partir desse acontecimento Bresson adquiriu a câmera que o acompanharia por toda a vida, uma Leica com lente 50mm, que por ser pequena permitia que ele registrasse momentos diversos de pessoas nas ruas, sem que elas percebessem que estavam sendo fotografadas. Apesar de ter começado olhando para os despossuídos e oprimidos, principais temas do fotojornalismo, muito cedo estas mesmas fotos impressionaram a França, Espanha, Itália, México, como arte, muito mais do que como reportagem.

Em 1935, partiu para o México e para New York, onde permaneceu por um ano também. Neste período deixou de fotografar. Fez filmes com Paul Strand, retornando em 1936 para Paris, onde trabalhou até 1939 com o cineasta francês Jean Renoir, filho do pintor, também fazendo filmes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Henri Cartier-Bresson serviu ao Exército francês na unidade de filmagem e fotografia, porém na Batalha da França em 1940 foi feito capturado e mantido como prisioneiro durante 35 meses por soldados alemães. Após 2 tentativas de frustradas de fuga, em 1943 conseguiu fugir e retorna a França onde trabalhou secretamente contribuindo para que outros prisioneiros pudessem fugir, além de registrar com outros fotógrafos a Ocupação e Liberação da França. Ainda em 1943, voltou a Vosgues (departamento da França localizado na região Lorena), onde havia enterrado sua Leica.

3

Em 1946 viu a chance de recomeçar sua carreira fotográfica. Ficou sabendo que o MOMA (Museu de Arte Moderna em Nova York) estava planejando uma exibição póstuma de suas fotos, através do curador Beaumont Newhall e sua mulher, Nancy, pois achavam que ele havia morrido na guerra. Informados de que Bresson estava vivo, a exposição foi transformada em uma retrospectiva de suas fotos em meio de carreira. Ele viajou para New York em agosto de 1946, com suas histórias dos campos de concentração, tentativas de fuga e trabalho clandestino executado para a Resistência Francesa. Começaram a ser produzidos artigos heróicos sobre ele.

Em 1947, Cartier-Bresson, Robert Capa, David ‘Chim’ Seymour e George Rodger, fundaram a AGÊNCIA MAGNUM, uma das agências mais famosas do mundo e que funcionava de maneira cooperativa, com o intuito de utilizar a fotografia a serviço da humanidade.

Em 1948, a cobertura do funeral de Gandhi fez com que Cartier-Bresson atingisse reconhecimento internacional, o que ficou ainda mais forte quando, no ano seguinte, esteve presente no último estágio da Guerra Civil Chinesa. Em 1952, lançou seu primeiro livro: “Images a La Sauvette” mas foi a versão inglesa que trouxe como título a frase mais famosa de Cartier-Bresson e que foi usada por ele como um guia ao longo de sua carreira: “The Decisive Moment” (O Momento Decisivo): “Há uma fração de segundo criativa quando você está fazendo uma foto. Seu olho deve enxergar uma composição ou uma expressão que a própria vida oferece a você, e você deve saber, através da intuição, quando clicar. Esse é o momento em que o fotógrafo é criativo”.

9

Continuou fotografando pelo mundo, mas na metade da década de 60, ele voltou insatisfeito com o seu trabalho. Foi para a Agência Magnum com a intenção de destruir tudo. O editor de fotografia e escritor Romeo Martinez convenceu Bresson a permitir que o editor Robert Delphire o printer da Magnum, Pierre Gassman, editassem um trabalho com suas melhores fotos. Esta foi aparentemente a segunda vez que ele tentou destruir suas fotos. A primeira foi na época da guerra, quando ele teria destruído as fotos e pedido ao pai para guardar os negativos em uma lata e depositar em um cofre no Banco. Em 1966, Bresson retirou-se da Magnum, mas permitiu que a Agência continuasse a distribuir suas fotos. Em 1970, com 62 anos, casou com a fotógrafa Martine Frank.

4

Em torno de 1975, Cartier-Bresson já não fotografava mais, admitindo que, talvez, ele tivesse dito tudo o que podia através da fotografia. Segundo ele, a câmera agora ficava guardada em um cofre em sua casa e raramente era usada. E assim, após anos desenvolvendo sua visão artística com a fotografia, a pintura tomou conta de sua vida. Sua primeira exposição de pinturas aconteceu em na Carlton Gallery, em Nova York, em 1975.

Em 2003, juntamente com sua esposa, Martine Frank, inaugurou a Fundação Henri Cartier-Bresson, para manter um local permanente com seus trabalhos. Ele veio a falecer em 2004, em Montjustin, na França.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.